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4.4.11

Deriva e Psicogeografia

Alguma vez você já percebeu que, as vezes, ao passar por determinados lugares da cidade, o humor muda somente por passar por ali? Ou que quando um engarrafamento/acidente/obra/coisa do tipo nos impede de passar por aquela rua na qual você sempre anda e você tem que passar por uma rua paralela, mais que você nunca andou por lá, parece que é um caminho completamente novo? Ou que os locais e os bairros as vezes parecem ter personalidades? Essas perguntas - e as suas respostas - são referentes a psicogeografia, que é o estudo dos efeitos exatos do meio geográfico, conscientemente planejado ou não, que agem diretamente sobre o comportamento afetivo dos individuos.

É este efeito, da relação entre usuário e ambiente, que é utilizado pela deriva.

“Em função do que você procura, escolha uma região, uma cidade de razoável densidade demográfica, uma rua com certa animação. Construa uma casa. Arrume a mobília. Capriche na decoração e em tudo que a completa. Escolha a estação e a hora. Reúna as pessoas mais aptas, os discos e a bebida convenientes. A iluminação e a conversa devem ser apropriadas, assim como o o que está em torno ou suas recordações. Se não houver falhas no que você preparou, o resultado será satisfatório”. (JACQUES, 2003)

A idéia de “construção de situações” também é relevante:

“As grandes cidades são favoráveis à distração que chamamos de deriva. A deriva é uma técnica do andar sem rumo. Ela se mistura à influência do cenário. Todas as casas são belas. A arquitetura deve se tornar apaixonante. Nós não saberíamos considerar tipos de construção menores. O novo urbanismo é inseparável das transformações econômicas e sociais felizmente inevitáveis. É possível se pensar que as reinvidicações revolucionárias de uma época correspondem à idéia que essa época tem da felicidade. A valorização dos lazeres não é uma brincadeira. Nós insistimos que é preciso se inventar novos jogos”. (JACQUES, 2003)

“A construção de situações será a realização contínua de um grande jogo deliberadamente escolhido" (JACQUES, 2003)

Derivar é deixar-se partir. O objetivo deste blog, é torná-lo fascinado pela idéia de "partir" em busca de uma exploração , e descobrir o que esta experiência possa oferecer. Comente e divulge esta experiência.

P.S.: quando possível, relacione o que é visto com o que é sentido e reflita: "Qual a importância que dou a isto?"




(ver mais em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/03.035/696)

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